segunda-feira, 5 de maio de 2014

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA O 51º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

11 DE MAIO DE 2014 - IV DOMINGO DE PÁSCOA
Vocações, testemunho da verdade

Amados irmãos e irmãs!

1. Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (...). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a acção eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.

2. Muitas vezes rezámos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacob, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adoptada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo - «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus: através da relação única e pessoal com Jesus, que o Baptismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33). Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de Maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Ped 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projecto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.

3. Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)?

4. Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cómodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013). A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direcção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte31).

Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há-de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 15 de Janeiro de 2014
FRANCISCO


domingo, 4 de maio de 2014

ILUSTRE DESOCONHECIDO

Débora Ireno Dias

Sempre nos deparamos com avisos sobre desaparecidos, seja nas redes sociais, seja na imprensa. Fico olhando a fisionomia para ver se “já vi” tal pessoa desenhada ou retratada. Fico imaginando a dor e a angústia dos que perderam um ente, sem ter notícias há dias ou meses. Anos até! Fico imaginando a angústia dos perdidos!

Um senhor dos seus 80 para mais apareceu na rua de meus pais. Os vizinhos logo se prontificaram em ajudar porque perceberam que algo não estava certo. Sem lenço nem documento, só falava seu primeiro nome. Vi a cena e pensei que poderia ser com qualquer um dos nossos que já se encontram em idade avançada. Após algumas horas, o serviço de Assistência Social da prefeitura o recolheu e, devido às fotos que postei na rede social, alguém o reconheceu e ele foi reintegrado à família. Final feliz! Ficamos felizes! (Obrigada a todos que compartilharam as fotos.)

Após o acontecido, deparei-me com a notícia de um jovem que se retirou da cidade e se despediu da vida. E aí vem outra notícia, de um jovem que há muito era empresário, mas que hoje perambula pelas ruas (sobre)vivendo da ajuda alheia e do seu próprio vício.

Três situações extremas, diferentes, mas com algo em comum: por algum motivo, perderam sua identidade. O senhor não se reconhece, não se lembra, não fala coisa com coisa sobre seu passado, que certamente já se perdeu nas memórias. Um jovem que, por algum motivo alheio a nós, não mais se reconheceu como família, como amigo, como profissional, perdeu-se em meio a dúvidas e incertezas, perdeu-se no medo. O outro jovem ainda sorri, mas sua alegria já se perdeu no tempo, quando ainda conseguia viver e ser um alguém que não dependia de seu vício.

O primeiro conseguiu ser ajudado. Através do olhar atento de alguns, outros o reconheceram e o levaram de volta para sua vida. O segundo e o terceiro não sei. A exemplo dos três, o que percebo são muitos jovens de nossa cidade, comunidade, vizinhança perambulando por aí, sem se saber, sem saber ser, sem falar coisa com coisa, sem alguém que os olhe, que os direcione para um bom caminho, que os acolha.

É mais que necessário, é urgente que haja alguma ação de nossa parte, da sociedade como um todo, a começar pela própria família – principalmente por ela – para que não tenhamos mais jovens perambulando, perdendo-se no tempo e no espaço, não mais se reconhecendo, perdendo seus sonhos, angustiando-se nos medos, fazendo medo!

Entristece-me ver jovens conhecidos tornando-se desconhecidos de si mesmos! Quem os olhará? Quem os acolherá?

1ª COROAÇÃO NA COMUNIDADE SANTO EXPEDITO

Hoje, 3º Domingo da Páscoa, 04/05, às 7h30, na Comunidade Santo Expedito, aconteceu mais uma celebração dominical. "Ficai conosco Senhor". A partir desta temática, o celebrante, Padre Mauro, ressaltou a importância do trabalho de evangelização em conjunto, deixando-nos a seguinte mensagem: "se caminharmos juntos, unidos, Jesus estará sempre ao nosso lado". Ainda nesta celebração, as crianças da Comunidade coroaram Nossa Senhora. Um momento de muita alegria, afinal, com esta coroação iniciamos oficialmente em nossa Comunidade o mês de Maria, nossa Mãe.
Colaboração: Eliane Martin e Gabriela Cabral

DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

A primeira sexta-feira do mês, é dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, e neste mês, que comemoramos o mês de Maria, o Apostolado da Oração demonstrou todo seu fervor, abrindo as coroações do mês de maio. Enche-nos de alegria perceber no olhar de cada membro do Apostolado todo o comprometimento em zelar pelo Coração de Jesus, através da oração, em todas as celebrações. Não importa a idade, o que  importa é celebrar e coroar a Mãe de Jesus, Aquela que disse sim, nos dando seu filho muito amado. Sejamos confiantes em nossa caminhada, e incentivemos todas as crianças a participarem das homenagens a Mãe de Jesus, com muito carinho e gratidão, através da coroação.






sábado, 3 de maio de 2014

OBRIGADO, PARÓQUIA SÃO SEBASTIÃO!


Ao final da missa de quinta-feira, 1º, em ação de graças pela vida do Padre Adelson, o mesmo proferiu palavras de agradecimento à Família Paroquial que o acolheu no início de seu ministério sacerdotal: 

"Nesta noite de Ação de Graças, não tenho outra coisa a fazer a não ser agradecer a Deus pela minha vocação, com a qual fui enviado para servir o Seu povo, e pelas pessoas que Ele colocou no meu caminho, com suas vidas e testemunho de fé, animando-me na caminhada da vida.
Há um ano e dois meses, quando fui acolhido nesta Paróquia, trazia comigo uma só certeza: 'foi Deus quem me enviou para a missão e me colocou aqui'. Grande era a minha responsabilidade. Hoje, ao me preparar para a nova missão, na Paróquia do Divino Espírito Santo, em Lamim, percebo o quanto Ele foi generoso para comigo. Aqui recebi carinho e atenção; fui tratado como filho, irmão, amigo e respeitado em meu ministério. Mais um motivo de 'graças a Deus'.
Rendo-Lhe graças também, Senhor, pelos Conselhos Paroquiais, pela sua organização e compromisso com a Igreja, pelas várias pastorais, equipes e movimentos, que se dedicam na evangelização desta Paróquia e, de modo peculiar, pelo padre Mauro, que, além de ter aceitado a responsabilidade de me ensinar a servir à Igreja como diácono e como padre, viveu e vive o seu ministério sacerdotal com zelo, sinceridade e verdade, colocando-se sempre ao meu lado na caminhada. Você, padre Mauro, não foi apenas um colega de ministério, mas um mestre e amigo. Obrigado pela paciência e confiança. Que Deus abençoe sua vida, vocação e ministério. Seja cada vez mais fecundo o seu pastoreio. Nesta missão que inicio, conto com sua amizade e conselhos. Agradeço à Comunidade Vocacional por este tempo de convivência.
Nesta ocasião, gostaria ainda de lhes fazer um último pedido, como amigo: acolham o padre Afrânio com carinho e como um companheiro, pois é um irmão e amigo de caminhada.
Que o glorioso mártir São Sebastião interceda a Deus por esta Família Paroquial, a fim de que vocês continuem generosos e acolhedores. Contarei sempre com as orações de cada um de vocês. Deus os abençoe e lhes pague por tudo."
Padre Adelson Clemente


sexta-feira, 2 de maio de 2014

MARIA ESPERA PELOS ANJOS


Já é tradição coroar Nossa Senhora no mês de maio! Qual menina não se vestiu de anjo?! E para manter esta tradição e homenagear Nossa Mãezinha, a Paróquia São Sebastião convida todas as famílias a levarem suas meninas para participar deste belo ato de amor a Maria.

O agendamento para coroar a Nossa Senhora e as inscrições já podem ser feitas durante os ensaios ou por telefone, com a Lourdinha (responsável pela coroação) – 3331-6571 ou 8848-0945.

Os ensaios acontecerão às segundas e terças-feiras, às 17h30, na Matriz de São Sebastião. A coroação acontecerá todas as quintas-feiras, sextas-feiras e sábados às 19h30 e aos domingos às 9h.




OBRIGADO, PADRE ADELSON!



No dia 1º de maio, às 19h30, na Matriz de São Sebastião, foi celebrada uma missa em Ação de Graças pela vida do Padre Adelson, que está se afastando dos trabalhos de nossa paróquia e partindo para uma nova missão na Paróquia do Divino Espírito Santo, na cidade de Lamim. 
 
 


A Celebração contou com a presença do Padre Euder, que presidiu a mesma. Padre Mauro agradeceu pela sua presença, e pediu que rezemos por Padre Adelson para que Deus o abençoe neste nova missão. 

Celebrou-se também a festa de São José Operário. Na homilia feita por Padre Mauro ele disse que quando São José assumiu Maria e o Menino Jesus ele cumpria a vontade de Deus. 

"A cada um de nós Deus faz um convite, um apelo e que também nos convoca como fez com São José. Hoje também damos graças a Deus pelos trabalhadores que com o trabalho de suas mãos lutam por um mundo melhor. O trabalho feito com amor e dedicação é uma prece, uma oração e que sejamos sempre agradecidos pela oportunidade de contribuirmos para uma nação mais justa."

Padre Mauro se dirigiu a Padre Adelson, dizendo que sabe que seu coração hoje é um misto de alegria e expectativa pela nova missão. Pediu que antes de tudo ele ame muito aquele povo que está na expectativa pela sua chegada, ame principalmente os mais sofridos. E que a Paróquia de São Sebastião continuará sendo a sua casa, a sua família, e com família estará sempre de braços abertos e disponível para o que ele precisar. 

Padre Euder também se dirigiu a ele agradecendo pela disponibilidade em ajudar quando foi solicitado.

Durante a procissão das ofertas, foram entregues objetos que representam o trabalhador que se esforça para levar o pão à mesa todos os dias, também foi ofertada uma estola representando o trabalho sacerdotal, hoje em especial o trabalho do Padre Adelson.

Ao final da celebração foi feita uma homenagem à Padre Adelson. Bernadete, coordenadora leiga do CPP agradeceu em nome de toda paróquia por esse tempo de convivência e foi ofertado a ele pelos representantes das cinco comunidades que formam a nossa paróquia, um quadro que retrata a sua 1ª missa na Paróquia de São Sebastião. 

Obrigado Padre Adelson, por ter deixado entre nós essa alegria e disponibilidade! Que Deus o abençoe sempre!


Colaboração: Débora Ireno Dias e Niuzeth Matos





















quinta-feira, 1 de maio de 2014

UMA VERDADEIRA ESCOLA DE FÉ

Padre José Antônio de Oliveira
Vivemos nestes dias a bonita experiência da Páscoa. E temos certeza de que toda a sua riqueza é gestada na celebração e na vivência da Quaresma e da Semana Santa, verdadeiro retiro espiritual para o Povo de Deus. É de fato uma bênção poder recordar e reviver todo o drama de Jesus, em sua paixão pela humanidade e sua compaixão pelos pecadores.
Para nós que vivemos em Minas Gerais, sobretudo em regiões marcadas pela piedade popular como a nossa, esse tempo é também uma escola de religiosidade e de fé. Como é bonito ver o povo celebrando, se emocionando, procurando o perdão, assumindo mudanças, voltando à Igreja, se envolvendo!
Como padres e pastores, temos o privilégio de acompanhar de perto todo esse processo de conversão, e aprender com essa gente simples a beleza de uma fé verdadeiramente vivencial, e não meramente teórica. Como aprendemos com o nosso povo!
Tudo isso nos coloca de cheio na questão da religiosidade popular. Para muitos, os atos paralitúrgicos da Semana Santa, como outras expressões de fé, podem soar como algo sem importância, ou uma manifestação inferior da fé. Algo menor. Mas o próprio Bento XVI nos recorda que se trata de um “precioso tesouro da Igreja Católica” (…) que ela deve proteger, promover e, naquilo que for necessário, também purificar” (Sessão de abertura da Conferência de Aparecida).
Não podemos negar que a própria religião oficial e sua liturgia trazem muito da fé popular existente no meio onde nasceu. E essa fé do povo nos ajuda a superar o intelectualismo, o exagerado rubricismo, muitas liturgias frias e distantes da realidade. É uma forma encarnada de se viver a fé em Jesus Cristo e a adesão ao seu Projeto; de expressar a própria espiritualidade.
A palavra de Bento XVI é clara. É preciso proteger e promover essa riqueza, sem deixar de também contribuir para que seja cada vez verdadeira, evitando desvios e deturpações.
Esse equilíbrio é fundamental. É importante reconhecer nos ritos paralitúrgicos uma ferramenta privilegiada para a oração, a evangelização e a reflexão. São expressões que dão visibilidade à fé e evangelizam. Numa sociedade secularizada onde, para muitos, a celebração do Mistério Pascal não passa de um bom ‘feriadão’, onde o Sagrado vai perdendo espaço para o consumismo, esses momentos são essenciais para a valorização da fé.
Por outro lado, é fundamental que haja também uma boa formação, para evitar que as cenas da paixão, morte e ressurreição não se tornem apenas um teatro; que os atos devocionais não caiam num mero devocionismo passageiro. É preciso cuidar para que nada abafe ou reduza a centralidade de Jesus Cristo. A tradição deve ser preservada, mas não pode impedir a renovação necessária.
Hoje se fala muito em ‘re+forma’ da liturgia, mantendo a essência e atualizando a ‘forma’ de celebrar. Fala-se de ‘re+leitura’. O texto é o mesmo, mas a compreensão, o ponto de vista, a aplicação, tudo pode ser aperfeiçoado. Muitos textos litúrgicos, inclusive da celebração eucarística, das leituras bíblicas, dos ritos de batismo, casamento, ordenação etc, passam por uma ‘re+visão’ periódica, para que sejam adaptados aos novos tempos, vistos com novos olhos.
Uma mudança bonita e muito positiva que aconteceu com a reforma litúrgica foi a valorização da Vigília Pascal, centro e ápice de toda a liturgia cristã. Até bem recentemente, parecia que o ponto alto da Semana Santa era a sexta-feira da paixão. Parava-se na morte. Pouco valor se dava à Vigília e ao Domingo da Ressurreição. Hoje percebemos com alegria uma participação muito mais numerosa e consciente, festiva e dinâmica. É a beleza da tradição que se enriquece com as mudanças suscitadas pelo Espírito e exigidas pelos novos tempos.
Como pastores e agentes, temos a missão de organizar e animar a Semana Santa. Procuramos ensinar e evangelizar com nossas homilias e sermões. É um tempo forte da Palavra. Enquanto isso, o povo nos ensina com a vida sua fé encarnada. Revela um Deus de fato próximo, amigo, solidário. Feliz o povo que abre os ouvidos e o coração para acolher tão sublime mistério, e consegue fazer a experiência da sua presença amorosa de Deus em sua vida. Felizes os pastores que não se contentam em falar de Deus, mas procuram, sobretudo neste tempo, falar com Deus, sem deixar de se colocar também como discípulos do povo fiel, grande mestre da fé encarnada e vivenciada.